Vinil da Mariposa

Lado A Quem Canta seus males espanta

Lado B A voz do povo é a voz de Deus

A musicalidade em diálogo com minha alma e com os coletivos ao meu redor

Nessas últimas semanas de novembro tenho vivido experiências tão intensas com música e musicalidade de arrebatar a alma de qualquer pessoa um pouquinho sensível que seja. Foi tão absolutamente incrível que me senti impelida e inspirada a vir aqui escrever.

Bom, esses dias parei pra pensar nas potências da alma de meu clã familiar. Tanto minha linhagem materna quanto minha linhagem paterna, temos a herança da música muito presente. Lembro que quando eu era criança, meu pai sempre dizia que ele não tinha podido estudar  música e que o maior sonho dele para seus filhos, seria nosso envolvimento para tocar um instrumento. Meu avô paterno Raul, tocava cavaquinho com uma alegria, leveza e força encantadoras. Meu avô materno tocava flauta transversal e chegou a tocar com Gonzagão pelo sertão cearense de meu Deus.

Eu e minha irmã Naide de alguma forma nos envolvemos mais com as artes da cena, mas que também incluem a música e musicalidade, pois costumo dizer que o Teatro é a mãe de todas as linguagens artísticas. 

Meu irmão é um artista completo, toca vários instrumentos, canta lindamente e tem uma presença cênica maravilhosa que nos atravessa. Poderia mostrar a vocês tantas canções que ele canta, mas no final vou deixar o seu canal no YouTube para que vocês possam se deliciar com essa voz e essa presença. Por aqui vou deixar um cover de Liniker e Johnny Hooker, com a música Flutua, que é de uma verdade doída absurda. Com vocês a Drag Queen de meu irmão Raul Neto, a Suanny, lindamente poderosa e forte.

Flutua (part. Johnny Hooker) – Liniker e os Caramelows
O que vão dizer de nós?
Seus pais, Deus e coisas tais
Quando ouvirem rumores do nosso amor
Baby, eu já cansei de me esconder
Entre olhares, sussurros com você
Somos dois homens e nada mais
Eles não vão vencer
Baby, nada há de ser em vão
Antes dessa noite acabar
Dance comigo a nossa canção!
E flutua, flutua
Ninguém vai poder querer nos dizer como amar
E flutua, flutua
Ninguém vai poder querer nos dizer como amar
Entre conversas soltas pelo chão
Teu corpo teso, duro, são
E teu cheiro que ainda ficou na minha mão
Um novo tempo há de vencer
Pra que a gente possa florescer
E, baby, amar, amar sem temer
Eles não vão vencer
Baby, nada a dizer em vão
Antes dessa noite acabar
Baby, escute, é a nossa canção
E flutua, flutua
Ninguém vai poder querer nos dizer como amar
E flutua, flutua
Ninguém vai poder querer nos dizer como ama
Como amar
Como amar
Ninguém vai poder querer nos dizer como amar
Como amar
Como amar
Ninguém vai poder querer nos dizer como amar
Como amar
Como amar
Ninguém vai poder querer nos dizer como amar

Vocês  já  repararam que as vezes ficamos carentes de uma música ou novos artistas que nos toquem profundamente como aqueles tantos que nos tocaram no século passado, principalmente dos anos 60 aos anos 90? Daquela saudade que pessoas da minha geração sentem dos grandes festivais?

Participo de um grupo de Acolhimento de mulheres que curam suas feridas, coordenado pela analista Junguiana e arteterapeuta Ana Paula Maluf, minha professora de Corporeidade e musicalidade do IJEP/ Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa. Em nosso encontro de quinta feira, após uma rodada de relatos pessoais de mulheres que procuram força umas nas outras, a Ana colocou pra gente ouvir em silêncio e de olhos fechados, a música de Gilberto Gil, Se eu quiser falar com Deus. 

Na psicologia analítica ou psicoterapia profunda, nosso maior objetivo é a busca do processo de individuação, quando procuramos compreender e integrar as polaridades de nossa psiquê, do que esta na luz e sombra de nossa alma, quando trabalhamos o rumo ao centro de nossa alma, onde mora nossa centelha divina, nossa criança, a morada de DEUS.

Convido você a ouvir a música de Gil pensando nisso que acabei de te afirmar do pensamento Junguiano e coloco aqui pra vocês acompanharem minha emoção vivida na quinta feira no grupo de Acolhimento de mulheres que curam suas feridas.

Se Eu Quiser Falar com Deus – Gilberto Gil
Se eu quiser falar com Deus
Tenho que ficar a sós
Tenho que apagar a luz
Tenho que calar a voz
Tenho que encontrar a paz
Tenho que folgar os nós
Dos sapatos, da gravata
Dos desejos, dos receios
Tenho que esquecer a data
Tenho que perder a conta
Tenho que ter mãos vazias
Ter a alma e o corpo nus
Se eu quiser falar com Deus
Tenho que aceitar a dor
Tenho que comer o pão
Que o diabo amassou
Tenho que virar um cão
Tenho que lamber o chão
Dos palácios, dos castelos
Suntuosos do meu sonho
Tenho que me ver tristonho
Tenho que me achar medonho
E apesar de um mal tamanho
Alegrar meu coração
Se eu quiser falar com Deus
Tenho que me aventurar
Tenho que subir aos céus
Sem cordas pra segurar
Tenho que dizer adeus
Dar as costas, caminhar
Decidido, pela estrada
Que ao findar, vai dar em nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Do que eu pensava encontrar

Segundo a professora Ana Paula, toda música expressa uma narrativa do inconsciente pessoal, mas sobretudo do inconsciente coletivo. Pensar nisso me emocionou porque foram tantos sentimentos profundos que senti durante toda minha vida ouvindo música, que pude compreender essa emoção acompanhada pela captura de uma alma coletiva. Minha vida sempre foi regida por canções. Várias. Nesse mês de novembro me peguei revivendo canções guardadas em mim por décadas atrás, despertadas por um senhor que vendia mancebos na rua e que estava a cantar uma música do Roberto Carlos, As curvas da estrada de Santos, que é de 1969. Já repararam na letra dessa música? Quem nunca se desesperou diante da perda de um grande amor? Ouçam e acompanhem a letra:

As curvas da estrada de Santos – Roberto Carlos
Se você pretende saber quem eu sou
Eu posso lhe dizer
Entre no meu carro na estrada de Santos
E você vai me conhecer
Você vai pensar que eu
Não gosto nem mesmo de mim
E que na minha idade
Só a velocidade anda junto a mim
Só ando sozinho e no meu caminho
O tempo é cada vez menor
Preciso de ajuda, por favor me acuda
Eu vivo muito só
Se acaso numa curva
Eu me lembro do meu mundo
Eu piso mais fundo, corrijo num segundo
Não posso parar
Eu prefiro as curvas da estrada de Santos
Onde eu tento esquecer
Um amor que eu tive e vi pelo espelho
Na distância se perder
Mas se o amor que eu perdi
Eu novamente encontrar, oh
As curvas se acabam e na estrada de Santos
Não vou mais passar
Não, não vou mais passar, oh
Eu prefiro as curvas da estrada de Santos
Onde eu tento esquecer
Um amor que eu tive e vi pelo espelho
Na distância se perder
Mas se amor que eu perdi
Eu novamente encontrar, oh, oh
As curvas se acabam e na estrada de Santos
Eu não vou mais passar
Não, não, não, não, não, não
Na estrada de Santos as curvas se acabam
E eu não vou mais passar
Não, não, não,
Oh, na estrada de Santos as curvas se acabam

Na sexta feira, eu também me impactei com uma música. Dessa vez, na supervisão do professor Waldemar Magaldi, ao analisar um caso terapêutico numa sucessão de repetições de vínculos amorosos com alcoolistas. Quantos de nós não carrega essa herança familiar de um cotidiano com envolvimento de um pessoa e o álcool?

 Segundo Magaldi, um complexo na relação materna pode levar ao alcoolismo e deixar a pessoa, “mamada”. Interessante, porque em minha família essa herança presente fez muitos complexos chegarem a dramas dolorosos que também afetam minha alma e minhas relações durante toda minha vida. O caso discutido sobre o alcoolismo levou Magaldi a sugerir o trabalho com uma música de Lupicínio Rodrigues, na voz de Maria Bethânia, Foi assim:

Foi Assim (ao vivo) – Chico Buarque e Maria Bethânia
 Foi assim
Eu tinha alguém
Que comigo morava
Mas tinha um defeito que brigava
Embora com razão
Ou sem razão
Encontrei 
Um dia uma pessoa diferente
Que me tratava carinhosamente
Dizendo resolver minha questão
Mas não
Foi assim
Troquei essa pessoa que eu morava
Por essa criatura que eu julgava
Pudesse compreender todo o meu eu
Mas no fim
Fiquei na mesma coisa em que estava
Porque a criatura que eu sonhava
Não faz aquilo que me prometeu
Não sei se é meu destino
Não sei se é meu azar
Mas tenho que viver brigando
Todos no mundo
Encontram seu par
Por que só eu vivo 
Trocando?
Se deixo de alguém 
Por falta de carinho
Por brigar
E outras coisas mais
Quem aparece
No meu caminho
Tem os defeitos iguais
Se deixo de alguém
Por falta de carinho
Por brigar e outras coisas mais
Quem aparece no meu caminho
Tem os defeitos iguais

No sábado fui para a aula do IJEP, onde teríamos aula de imaginação ativa e a técnica arteterapeutica das mandalas com a professora Simone Magaldi que foi absolutamente reveladora de nosso inconsciente pessoal e a tarde a aula com Ana Paula Maluf sobre musicalidade, inconsciente coletivo e mudanças de humor.

Que dia! Que aulas poderosas! Já saí bastante mobilizada da aula de imaginação ativa onde vi revelado meu inconsciente pessoal por meio da produção de minha mandala. À tarde, vivenciamos a construção coletiva da musicalidade desvelando nosso insconsciente coletivo e foi algo surpreendente.

A professora Ana desenvolveu conosco várias experiências musicais que culminou numa composição musical ao final da aula que revelou a alma coletiva da nossa turma. A música que criamos revelou-nos uma narrativa em três partes, que contavam uma evolução humana. A primeira uma chuva na floresta, a segunda um agrupamento tribal e a terceira me pareceu um riacho com lavadeiras.

No momento da produção, estávamos  tão soltos e criativos, sem preocupações com nada. Levamos vários cotidianafanos, que são instrumentos que produzem sons criados por materiais reciclados de elementos da nossa cultura. 

Mas também levamos instrumentos musicais prontos como pratos, triângulos, claves, gaitas, pandeiro, tambor, reco-reco, pau de chuva, maracas e dois instrumentos incríveis levados pelo Felipe Coelho. Ele levou um instrumento de sopro aborígene chamado Didgeridoo, que é uma espécie de aerofone, onde o som é provocado pela vibração dos lábios, um pouco parecido com o nosso berrante brasileiro. Veja aqui:

Ele também levou um instrumento que parece um disco voador que tem um som de água  incrível chamado Hang Drum que deixo abaixo pra você conhecer:

Todos esses instrumentos dispostos no chão e inicialmente a Ana fez conosco uma espécie de imaginação ativa rumo ao nosso centro, a nossa centelha divina, a nosso Deus, ao nosso centro, rumo ao SELF. Depois, o grupo começou a produzir sons com o corpo, com a voz, e aos poucos fomos levantando e pegando esses instrumentos que estavam dispostos no chão, no meio, no centro da sala, meio mandálico também, ali nos convocando a deles compor nossa narrativa musical. 

Lembro que na hora da criação coletiva, a única coisa que me preocupei foi em compor de uma certa harmonia musical com meus colegas e vez ou outra mudar de instrumento e de som. Também senti o desejo de compor uma dança com aqueles sons e bailar docemente ao som coletivo daquela narrativa. 

Ao final, a Ana que havia gravado aquela narrativa musical do SELF de nossa turma, colocou o áudio pra que a gente ouvisse. Qual não foi nossa emoção de percebermos a beleza de nossa história musical que contava uma evolução: floresta, tribo e trabalho coletivo. Quanta riqueza há nesse coletivo! Ouçam:

Ao abrirmos os diálogos sobre nossas impressões, Rosana Bergamasco, que também é minha professora e regente do coral da EMIA/Escola Municipal de Iniciação  artística fala de seu trabalho arteterapeutico inovador de compor letra e música coletiva no coral das famílias da EMIA. Eu também pude relatar o quanto essa experiência do coral da qual faço parte tem me deixado realizada emocionalmente, porque a cada encontro, a cada semana que preparamos nosso repertório e criamos arranjos para nossas canções a partir dessa nova metodologia de Rosana, algo acontece dentro de nós que nos aproxima, nos conecta, nos vincula enquanto coletivo.

A canção que compusemos com Rosana Bergamasco, que nos apresentou uma metodologia que capturou nosso insconsciente coletivo tanto para compor a letra, quanto a música, me fez pensar no momento político que vivemos. 

Vivemos um contexto de ódio, de desprezo e retalhação às instituições, à ética, aos direitos humanos, aos valores fundamentais rumo à uma sociedade humanizada e humanizadora.

Na canção A Poesia me interessa, de nossa autoria coletiva do Coral das Famílias da EMIA/ Escola Municipal de Iniciação  Artística, sob a composição e regência de Rosana Bergamasco e arranjos, performance e regência de Viviane Godoy, falamos de um amor escondido em nossa sombra e que nessa sombra, se encontra uma criança divina em expansão de alma e todo o amor perdido pela pressa e desconexão humana contemporânea. 

Fico muito emocionada de compreender essa composição coletiva, porque em 2018, antes das eleições, nossa escola ficou polarizada pelas famílias de esquerda de uma lado e as famílias de extrema direita de outro. Muito ódio e desrespeito aconteceu nas redes sociais, muitos ataques foram travados entre grupos que culminou até num desrespeito as próprias crianças na apresentação final de 2018 no teatro João Caetano, quando algumas famílias gritaram uma com outra na boca de cena, enquanto o diretor da escola pedia que os adultos pedissem desculpas pelo seu destempero para com todos ali e principalmente com as crianças, que são nossos filhos. Foi constrangedor, horrível, vergonhoso, triste.

Em 2019, pensei dez vezes se eu ia mesmo compor daquele coral de famílias ou não. Sentia medo da polarização. Mas resolvi que devia ir. Nos primeiros encontros, senti a presença da hostilidade, da polarização, um estranhamento que queimou meu peito.

No dia 27 de agosto, dia do Psicólogo , nós ganhamos de presente uma oficina terapêutica, uma vivência com feitura de pães, coordenada por uma das integrante do coral de famílias da EMIA, a psicoterapeuta Nívea Gonçalves, que nos fez mergulhar em silêncio para que através da integração dos ingredientes, a manipulação da massa, a espera do crescimento da mesma e da escuta interna de nossas emoções, nos mobilizou por meio dessa alquimia olhar para nós mesmos e nos conectarmos umas as outras no coletivo do coral. Fiz um texto aqui no meu jardim contando sobre essa vivência  incrível na escola pública, que batizei de As delícias e dores humanas, vivências grupais, que deixo o link aqui pra quem quiser ler:

Percebi que após essa vivência e após a criação musical da Poesia me Interessa, uma chave virou a porta da alma e nos fez constituir um vínculo muito forte de amor. 

A música revela e une almas. Ela fala por todos nós. Fala de dores, amores e amizade. Fala do esssencial. Fala que vem do centro. Uma narrativa coletiva de um SELF coletivo.

Nesse domingo, 1º de dezembro, dia mundial de luta contra aids, quando costumo chorar tantos amig&s mortos, vitimados por essa peste tão cruel do século XX, a aids, nos apresentamos no Teatro João Caetano, revelando a nossa narrativa, a nossa canção que vem da nossa sombra e lá está guardado um montão de amor, amizade, respeito, alegrias, dança, que virá depois da noite. Essa manhã eu senti verdadeiramente o espírito do natal em meu coração com essa gente linda que ama cantar!

Pra vocês o coral das famílias da EMIA com a composição coletiva (música e letra):

A Poesia Me Interessa
 Estou com pressa
Mas a poesia me interessa 
Assim como a brisa da manhã 
Refresca o nosso ser
O amor está no ar
Vamos aproveitar e amar
Muito, amar o mar
E por que não? Amar a escuridão 
Pedo, filho amado 
Corpo prisão 
Alma em expansão 
Em plena transformação 
Estou com pressa
Mas a poesia me interessa 
Assim como a brisa da manhã 
Refresca nosso ser
Declamado
Alma em expansão em plena transformação 
É preciso de casulo e tempo
Para a libertação da consciência e da paz
O amor? Ahh o amor!
Amor para todos e saúde 
É preciso viver a vida com coragem!
Embalando o canto no rio, mato ou cidade
O amanhã vira depois dessa noite!
Cantado
O amor está no ar
Vamos aproveitar e amar muito
Amar o mar
O amanhã virá depois da noiteeeee...

Mas minha jornada rumo a profundidade do mundo da música ainda não havia terminado nesse domingo. 

Chegando em casa, recebi de minha amiga Valquiria Lima um presente que me deixou sem ar. Valquiria tem um filho que é um gênio. Aos 13 anos ele deu uma aula pra minha turma de 2012 na EMEI Gabriel Prestes sobre dobra espacial, sobre massa, sobre gravidade que as crianças entenderam perfeitamente. 

Esse menino tocou violino na presença de uma fogueira num acantonamento em 2013 para as crianças da EMEI Gabriel Prestes, a canção as Quatro estações do Vivaldi, que encerrava o Festival de Inverno, proposta curricular da escola do Festival das Estações do Projeto Politico Pedagógico: Percurso das Infâncias da Emei Gabriel Prestes e o olhar das crianças sobre a cidade educadora .

Hoje aos 18 anos, esse menino é um jovem, um talentoso artista, compositor e músico e intérprete genial. 

Se pensarmos que toda criação musical vem do insconsciente coletivo temos esse jovem compositor de nosso tempo, contemporâneo. Thales Oscar invadiu e ocupou minha alma de uma jeito tão profundo, cortante e desconcertante, que nada tenho mais a dizer, somente a encerrar esse texto com ele. 

Pra você que passa por aqui pra ler minhas reflexões, peço seu comentário e compartilhamento nas redes sociais. Com vocês meu querido, genial e jovem amigo Thales,  com sua música Secura (sem letra, ouça o áudio com fones de ouvido e deixe a música te penetrar) Secura? Se Cura? SeGura?

Referências

Edinger, Edward F – A criação da consciência. Ed.Cultrix

Jung, C.G. Estudos sobre o simbolismo do si mesmo. Ed.Vozes

Edinger, Edward F – Ego e Arquétipo. Ed.Cultrix

Jung C.G – Memórias sonhos e reflexões.

Ostrower Fayga – Criatividade e processos de criação. Ed.vozes.

Canal YouTube  Raul Neto https://www.youtube.com/user/theaugustrush77 

Canal YouTube Suanny https://www.youtube.com/channel/UCiwv0XqqcmIM_k8nooY1DTg

Canal Caronte, o carente https://www.youtube.com/channel/UCKfucGQAXQnSvsXKNbwd27g

EMIA Escola Municipal de Iniciação Artística https://emiasp.blogspot.com/2019/11/coordenacao-de-cidadania-cultural.html

IJEP – Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa https://www.ijep.com.br

Rosana Bergamasco com Grupo Dedo de Moça 
Rosana Bergamasco com Choronas, pedacinho do CÉU
Vinyl Record

Como se forja um homem desde menino?

As mudanças de estação costumam mexer de tal modo comigo no corpo e nas emoções que me remetem a mergulhos profundos na minha alma. Entretanto, na transição desse inverno para a primavera, eu mergulhei ao meu inferno como jamais pude fazer.

Hoje particularmente, dei novo mergulho ao escuros do meu oceano mais profundo que vem de um processo de minha jornada rumo a mim mesma de alguns anos.

Desde minha aposentadoria como professora de infância e gestora pública, após 30 anos de dedicação, na procura e obstinação pela excelência de atendimento ao público que culminou com um processo de descoberta de uma deficiência física de nascença que me levou quase a ficar prostrada numa cadeira de rodas, eu resolvi me dedicar integralmente a minha saúde física, emocional e espiritual, bem como a assumir meu lado B profissional, a psicologia. Baita processo de mudança, porque consegui compreender quão amigo meus sintomas estavam sendo de mim, levando minhas pernas a caminharem por outros rumos e construir novos capítulos do livro da minha vida.

A vida é feita de decisões, nem sempre fáceis, pois requer de nós mobilizar e remexer em afetos muito bem guardados no porão da nossa alma.

Eu tive que mexer e ainda estou remexendo nesses afetos e sobre eles que venho hoje contar pra vocês, porque acredito que escrever tem sido pra mim, uma limpeza, uma depuração, uma decantação de alguns sentimentos tóxicos, que muitas vezes guardamos por sentimento de culpa, vergonha ou medo de nos expor. Mas quando a gente mexe neles e os decanta ou mesmo percebe que muitas situações tóxicas nem são nossas, a gente consegue expô-los e até quem sabe colaborar com um leitor ou uma leitora que passa por aqui no meu Jardim e dá uma paradinha para me “ouvir”. 

            

Ainda mais nesse setembro amarelo, quando as pessoas se voltam para a temática do suicidio, falar do que se sente ou ler sentimentos de outras pessoas, acho bem propício, porque acredito que quando alguém busca saúde física ou mental, meio que se coloca como um bom modelo social.

Eu tenho vivido nessa transição do inverno para a primavera de 2019 e também da transição do outono para o inverno de período da vida, pois como uma mulher de 52 anos, que recentemente adentrou a menopausa, um encontro com a sombra de meu animus. Explico. Para Jung a anima é a alma feminina contraparte dos homens e animus é a contraparte masculina nas mulheres. Tema complicado e complexo em tempos de construção de novas identidades de gênero e que vai exigir ainda muitas pesquisas, revisões teóricas e novas análises para conectar-se a nova situação histórico humana. Mas na real, ao trabalhar meu animus, numa vivência de máscaras e teatro no IJEP/ Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa, da qual faço Pós Graduação em Arteterapia , o que veio dessa sombra, foi um homem perverso, mal humorado, agressor. É o modelo de homem que ainda mora dentro de mim e que tenho exercitado transmutar e ressignificar. Abaixo a imagem da sombra do meu animus, ainda não integrada.

Não é pra menos, para além do destino que muitas vezes ocupamos num clã familiar, ainda temos enraizado em nossa cultura, o  machismo e o sexismo, a qual todos e todas estamos mergulhadxs, e que diz respeito a construção desses modelos ou por vezes anti modelos. 

No final da década de 90, eu trabalhei com grupos monitorados de mulheres no tocante a sexualidades, direito à saúde reprodutiva e prevenção e tratamento de dst aids/hepatites virais e redução de danos associados à saúde pelo uso de drogas em parceria da profa Dra Regina Facchini. Naquela época, já havíamos chegado à conclusão que trabalhar as questões femininas e feministas com as mulheres era tão importante como trabalhar a questão das masculinidades e do feminismo com os homens. E foi a partir do trabalho com o grupos de Mulheres do Centro de Convivência ‘É de Lei’ que se desdobrou o grupo de homens ‘É de Lei’. O número de participantes, as questões levantadas e a periodicidade do grupo era bem diferente um do outro, revelando o acúmulo de debate, de saberes, de experiências e possibilidades de expressão bem diferente entre um e outro. 

O grupo de mulheres tinha uma circulação de 20 a 30 mulheres por semana. O grupo de homens quando tinha 5 participantes, por quinzena, era uma alegria. O grupo de mulheres tinha pautas desde o padrão de uso de drogas, passando pelos métodos contraceptivos até zonas erógenas de prazer do corpo e principalmente do tecido do clitóris. Chegamos mesmo a discutir e criar uma bula para o Reality, preservativo feminino em parceria com a DKT do Brasil. 

Já o grupo de homens não conseguia muito sair da higiene do pênis e da tentativa de quebrar o paradigma do “macho garanhão” que quer pegar aquela “mina gostosa”.

Importante olhar para essa trajetória e verificar quantos grupos de masculinidades estão em diálogo hoje. Muitos! Dá uma alegria! Apesar do feminicídio e violência contra mulheres que cresce exponencialmente a antimodelos masculinos que são ainda aplaudidos e incentivados por homens públicos que intencionalmente tentam perpetuar um patriarcado que está prestes a ruir, temos na contracultura esses grupos de reflexões   de homens que se multiplicam. A história vai dizer no futuro quem vai vencer essa jornada rumo a humanização de uma nova cultura da civilização humana.

Eu por aqui, fazendo meu papel de me modificar o que quero ver diferente no mundo e ressignificar em mim um animus cuidador, sensível, seguro e consciente.

Disse que hoje particularmente estou mais sensível porque assiti a um documentário incrível que recebi de presente de um homem sensível, meu amigo Pedro. A família  do Pedro, assim como de tantos outros homens e mulheres, tem participado comigo de uma jornada na educação de nossos filhos e filhas de um modo muito especial e diferente que está mexendo num nível tão profundo, que nos traz por vezes desconfortos e em outras tantas, alegrias. Tantas vezes ouvimos que é necessário muitos mais que uma comunidade para se educar uma criança e é exatamente o que temos vivido. Infelizmente em tempos duros do fascismo, eu prefiro não dizer onde essa comunidade educa seus filhos e filhas, até pra que possamos preservar esse nível tão refinado educacional, mas posso dizer que essas crianças certamente serão pessoas mais humanizadas na construção de suas identidades. E deixo aqui bases de alguns dos princípios que temos educado nossos filhos e filhas, que retirei do texto de Silvia Amélia de Araújo, Pelos Direitos dos Meninos:


                      

 


 

 

Esse filme que Pedro me presenteou essa manhã: “ O silêncio dos homens” traz muitas reflexões inclusive levantadas por minha amiga querida Anna Cecilia Simões – “o que é ser homem na nossa sociedade hoje?”, “ como se forja a identidade masculina?”, “ quais são os códigos para essa transformação ?”. O documentário traz temas como violência, falta de diálogo sobre sexualidade e amor com os pais, como revelar sentimentos que ficam a sombra dos homens por uma cultura machista e sexista e como muitas vezes esse silêncio pode levá-los a um consumo de álcool e outras drogas. O documentário tem depoimentos muito profundos, inclusive de uma amiga criancista a Raquel Franzim, do Instituto Alana, que foi coordenadora de CEI na prefeitura de São Paulo, e que faz uma análise incrível sobre o trato das educadoras dos bebês meninos e principalmente dos meninos negros.

O filme também levanta um tema que sempre trouxe para o debate para as supervisões de educadoras que pude mediar: porque ainda sustentamos o preconceito de educadores de creche homens? Essa pergunta nos remete a tantas reflexões e desconstruções do paradigma machista e sexista na educação das infâncias, que daria aqui um outro post só pra pautar esse tema.

Desses tantos grupos de trabalhos com homens e suas masculinidades gostaria de destacar um trabalho que também participou do documentário, meu querido amigo terapeuta holístico, Thiago Santoro, que vem discutindo e promovendo vivências com homens e também resssignificando sua própria masculinidade. Porque é assim mesmo, quando a gente se dispõe a fazer um trabalho com pessoas, a gente sempre está ressignificando o que é preciso dentro da nossa própria alma. E como diria Sócrates, filósofo grego: “ Você tem que ser o espelho da mudança que está propondo. Se eu quero mudar o mundo, tenho que começar por mim”, ou do próprio Gandhi, “ Seja a mudança que você quer no mundo”. 

Deixo você então com o documentário “ o Silêncio dos Homens” e gostaria de propor um diálogo sobre essa forja das masculidades desde meninos que precisam acontecer no tempo histórico que vivemos, aqui no meu Jardim, entre minhas flores, mas sempre peço que não se assustem com o barulho forte e escuro das minhas asas de Mariposa. Boa reflexão!

 

As delicias e dores humanas, vivências grupais

Preciso fazer uma reflexão a partir de um profundo trabalho coletivo que participei ontem no Coral da Emia- Escola Municipal de Iniciação Artística, onde meu filho estuda  a qual eu também faço parte.

Antes mesmo desse trabalho de ontem venho refletindo sobre processos grupais em minha pós graduação em ArteTerapia no IJEP , sobre como um grupo pode ser maravilhoso no despertar de algumas pessoas, mas como tudo nunca é 100% , nos sobram aquela parcela de pessoas que ou se escodem ou acham que os outros são repontáveis por seu despertar. 

Ou ainda há aqueles e aquelas que pensam que todos estão a sua disposição para que seu crescimento aconteça, menos a própria pessoa, claro. 

Outro perfil, e esse também percebo em mim, é quanto rola de ciúmes, vaidade, soberba e ataques por conta disso. 

Problema nem é rolar tudo isso no caldeirão da nossas almas, problemas é não conhecermos nossos movimentos em grupo e sairmos nos expondo, sem nem saber o que estamos fazendo conosco.

Engraçado que percebo esses contextos grupais principalmente em ambientes acadêmicos, onde as vaidades se sobrepõem ao desejo de mergulhar no silêncio dos seus barulhos internos como bem nomeou Nívea ontem na oficina de panificação.

Quando falo de exposição não quero dizer zer nos mostrar, quero dizer, mostrar aquilo que não temos consciência do que somos.

E aí, coleguinhas, não tem como, os processos terapêuticos individuais ou grupais, dependendo das questões claro, são fundamentais nesse processo. 

Como fiquei bem emocionada no dia de ontem pelo belíssimo trabalho de grupo fazendo pães da psicóloga Nivea Gonçalves, justinho no dia que a Psicologia completa 57 anos no Brasil , um dia histórico para o Brasil e no Brasil, porque tivemos eleições no nossos conselhos profissionais e historicamente vencemos o obscurantismo, resolvi compartilhar o que eu tava pensando. 

Também foi pra mim um dia histórico porque as terça-feiras eu passo o dia trabalhando e estudando nas escolas do meu filho e nesse dia tão especial, tecemos tapetes poéticos em tear, onde pude coordenar uma grupo de mulheres maravilhosas pela manhã da tutoria da Profª Anna Cecilia Simões, onde a intimidade, cumplicidade e amizade entre as famílias é conteúdo pedagógico .

A tarde na vivência de pães com Nivea comemorar também meu aniversario de 27 de formada nessa incrível profissão que é a Psicologia. 

Gratidão a escola pública por esses momentos intensos e reflexivos que ela continua a me colocar e que marcam profundamente a minha história de vida. 

Gratidão a Nívea Gonçalves , minha colega de profissão e de canto no coral  que me inspirou em mais essa postagem aqui no meu Jardim e que foi tão sensível e firme na condução do trabalho grupal ontem de panificação.

Agradeço ao meu grupo do coral de famílias que é tão diverso, tão generoso, tão delicado é tem vozes preciosas!

Agradeço as minhas professoras regentes Viviane Godoy e Rosana Bergamasco, do coral de Famílias da EMIA- Escola Municipal de Iniciação artística que acolheu ao meu filho e a mim em aprendizados que mexem com delicias e dores humanas! Se você também têm experiências de delícias e dores em processos grupais, conta aqui pra mim e deixe aqui seu perfume entre as flores desse Jardim! Agradeço sua presença!

 

 

19 de agosto- Dia da Atriz e do Ator de Teatro🎭

O palco é como a vida que transcorre diante de nossos olhos,

A coxia do teatro tem um cheiro específico que faz vibrar a alma e o coração da atriz e do ator que entra em cena,

Que empresta seu corpo para aquela alma de uma personagem que existe em sua criação.

Ser atriz e ser ator é como ser um pouquinho de Deusa ou de Deus.

É saber tanto e saber quase nada de sua criação que ganha alma diante da plateia!

O teatro é aquele lugar onde a atriz ou ator precisam transmitir uma ideia, a ideia da criação, da técnica, do texto, do estudo, do suor, mas sobretudo da verdade humana.

É na cena que a vida sobrepõe a vida e ao mesmo tempo a vida sobrepõe a morte para a plateia saia um pouco maior que entrou, um pouco mais repleto para que a atriz ou ator se esvazie de preenchimentos de outrem e renasça mais humano em si mesmo.

Emoção, teatro lotado, respirações, vibrações, ribalta, luz, coxia, palco, a voz e o corpo que vibra no palco. Um universo mágico onde almas dos personagens transitam “incorporados” na corporeidade de atrizes e atores!

E as palmas revelam o êxtase e as cortinas se fecham devolvendo os corpos exaustos e felizes!

Nas imagens um pouco da minha história no grupo “Acorda Alice” e com as crianças em escolas públicas , um pouco desse universo do Teatro que preencheu e preenche minha alma de alegria e profundidade.

Em tempos obscuros, um flashback sobre a importância da Educação Pública Estatal

O depoimento que venho hoje publicar para quem visita o Jardim da Mariposa diz respeito a uma entrevista que dei em 2017 para o canal Caminho Filosófico do YouTube e que me fez a seguinte pergunta: qual a importância da Educação Estatal para a Democracia brasileira?

Na minha última postagem eu mostrei para você um relato de prática publicado na revista Magistério e os 80 anos da educação infantil que falou um pouquinho sobre os Indicadores de Qualidade da Educação Infantil. Nessa entrevista além de retomar os Indicadores de Qualidade da Educação Infantil Paulistana eu também falo do processo de Educação Integral nos CEUs da cidade de São Paulo, ambos como como construtores da democracia participativa na cidade e no país e da importância da Educação Pública para a garantia da constituição do Estado de Direitos e da Educação Pública Laica pra o desenvolvimento de um novo tempo.  Aproveito para deixar a dissertação de mestrado da profa Elaine Jardim que discorre sobre os CEUs que tivemos a honra de contribuir.

São quase 30 minutos de fala que espero possa por meio desse flashback contribuir para reflexões necessárias ao combate do obscurantismo na Educação brasileira.

Deixo algumas referências complementar às suas reflexões.

Referências

BrincaCEU

https://www.caiodib.com.br/blog/brincaceu-une-geracoes-pela-valorizacao-do-brincar/

Indicadores de qualidade da educação Infantil MEC

https://www.unicef.org/brazil/relatorios/indicadores-da-qualidade-na-educacao-infantil

Indicadores de qualidade da Educação Infantil Paulistana

Indic_Ed_Inf_Paulistana.pdf

Jardim, Elaine Aparecida “Meu bairro, minha cidade”: as exposições inaugurais dos

CEUs e as representações urbanas das periferias paulistanas, São Paulo, 2017

http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/103/103131/tde-10102017-153700/publico/ElaineJardimREVISADA.pdf

Portal Aprendiz

https://portal.aprendiz.uol.com.br/2015/08/01/ceus-completam-12-anos-como-referencia-de-politica-para-uma-cidade-educadora/

https://portal.aprendiz.uol.com.br/2016/03/09/para-que-escola-ocupe-o-ceu-para-que-o-ceu-transborde-para-o-bairro/

Portal da Educação- Secretaria Municipal de Educação- PMSP

http://intranet.sme.prefeitura.sp.gov.br/dre-butanta/2016/03/09/ocupaceu-bebes-meninas-e-mulheres-no-ceu-butanta/

Como sempre agradeço sua presença aqui no meu jardim, e espero que você possa espalhar desse perfume, para que novas metamorfoses possam acontecer.

Sobre as poéticas de Mário e o território Central das Infâncias numa cidade perdida num tempo de delicadezas

No mês de julho desse ano (2019), a obra Macunaíma de Mario de Andrade, completou 91 anos. Mário – como diria nossa mestra e criancista Marcia Gobbi, profa da Faculdade de Educação da USP – o crianço. 

Mário, para além de poeta, escritor, crítico literário, musicólogo, folclorista, ensaísta, fotógrafo e organizador da cultura brasileira; foi um homem que respeitou absolutamente as culturas infantis quando chefe do departamento de cultura da prefeitura do município de São Paulo, em 1935. 

Vejo que nós pouco valorizamos nossa pedagogia brasileira em nome de ingerirmos enlatados pedagógicos ou até mesmo boas práticas educacionais , mas que são importadas ou construídas a partir de suas culturas locais. 

Uma pedagogia que sustente as nossas raizes, a nossa efervescente cultura, a nossa antropofagia brasileira, ainda é uma pedagogia pouco compreendida, pouco respeitada, pouco defendida e vivenciada no chão das escolas por nossas/os educadoras/res! 

Poucos são aqueles e aquelas que estudam a fundo Mário de Andrade e sua pedagogia macunaímica, como diz Profa Ana Lucia Goulart de Faria. Uma pedagogia da poesia, da arte, do teatro, da vivência da cultura brasileira e das culturas infantis. 

Em 2015, comemoramos os 80 anos de Educação Infantil, quando escrevi sobre uma das práticas educacionais brasileiras dessa pedagogia que vivi como coordenadora pedagógica na EMEI GABRIEL Prestes, a escola que foi uma das precursoras da Virada Educação junto ao Movimento Entusiasmo e que levou centenas de crianças em cortejos poéticos as ruas do território central de São Paulo. 

                

 

Deixo abaixo esse relato publicado na revista Magistério e o link pra que você possa baixar a revista que tem muitos artigos sobre o tema em comemoração aos 80 anos desde que Mário de Andrade, legitimou na cidade de São Paulo, os parques infantis, que hoje são as nossas Emeis.

                                                          

O texto também fala dos indicadores de qualidade da Educação Infantil e é fundamental recobrarmos esse debate, quando vivemos um momento de ameaças desse processo que foi construído a tantas mãos e tantas vozes na rede, garantindo a participação do coletivo e organizadas com delicadeza e afinco pelas profas e pesquisadoras Maria Malta Campos, Bruna Ribeiro e Sonia Larrubia Valverde. Como também não posso deixar de lembrar aqui e destacar a pesquisa de doutorado da profa Meire Festa que tão bem vem fazer uma análise critica de toda implementação dos indicadores. que também deixarei abaixo para vocês os links para os indicadores e avaliando na educação infantil, aprimorando os olhares e para a tese de doutorado da profa Meire Festa. 

   

Aos educadores/ras que vem a essa página buscar referências educacionais humanizadoras,  saibam que criticamos enfaticamente uma prática na educação infantil mecanicista, conteudista, ranqueadora, classificatória e despolitizada e que imponham pacotes educacionais empresariais às escolas. 

Defendemos que a educação de crianças bem pequenas seja vivenciada pelo olhar das próprias crianças, de seu envolvimento com a vida e a natureza, sob um olhar poético, artístico e humanizador, respeitando os saberes construídos pela comunidade em que as crianças habitam, portanto, uma pedagogia macunaímica, ou uma pedagogia como prática de libertação rumo a um pensamento questionador e uma alma filosófica.

Agradeço a Sonia Larrubia Valverde e a Rosangela Gurgel, educadoras criancistas a época da Divisão Tecnica de Educação Infantil da Secretaria Municipal de Educação (2013/ 2016) que sempre confiaram nas nossas ações na EMEI Gabriel Prestes e me convidaram a escrita desse relato de prática. 

Trago então aqui uma tantinho dessa baita construção coletiva a partir do meu olhar numa cidade perdida num tempo de delicadezas.

Mais uma vez agradeço sua presença aqui no Jardim da Mariposa para conhecer esse trabalho construído delicadamente por tantas criancistas queridas! 

 

Relato de prática

Cafés com Poesia da EMEI gabriel Prestes estreitando os vínculos e ampliando os diálogos

Por Naime Silva

Coordenadora Pedagógica da EMEI Gabriel Prestes.

Manhã de quase outono, abrimos nossas portas e nosso coração para os encontros, para a brincadeira, para a música indígena, para o cheirinho de pão de queijo, cheirinho de tapioca, para o biscoito feito pelas crianças na cozinha experimental, para a oficina de arte com as crianças, para as famílias sentadas em volta da mesa do café da manhã, dialogando sobre o quanto é rica a experiência de estarmos juntos.

 

As famílias vão chegando de mansinho, quase que amanhecendo na escola, despertando pra beleza que se colocava na manhã de sábado. 

A poesia estava em todos os lugares, na profusão de cores das chitas, nas produções de arte das crianças, na belezura das palavras de amor estampadas por todos os lugares, no aconchego do mobiliário, no cheirinho da torta de queijo feita pelas crianças, nas canções arrebatadoras do cordelista Costa Senna que cantou contra as guerras e a ganância dos seres humanos, ponto alto de emoção, pois estávamos na presença de nossa família mulçumana do Iraque.         

A  poesia também estava presente na fala das crianças que com um coraçãozinho de papel falavam aos adultos: “Me diga uma coisa bonita”. 

A poesia estava na alegria do repente “Casarão” de Adão Fernandes, que de forma ágil, constrói em prosa e verso a discussão das famílias sobre suas pre- ocupações em garantir a infância no ensino fundamental de seus filhos e filhas, do desejo que começa a tornar-se coletivo de ocupar a Chácara Lane em tempo integral e com educação integral de maneira a interdisciplinar educação, cultura e arte no território central da Cidade de São Paulo.

       

Assim são os encontros dos “Cafés com poesia” da Escola Municipal de Educação Infantil Gabriel Prestes, que têm contado com a organização da equipe da escola em parceria com o Movimento Entusiasmo e o Instituto Alana.

Outro ponto alto do diálogo, foi a preocupação em trazer mais famílias para receber os Indicadores de Qualidade da Educação Infantil Paulistana. Momento importantíssimo de autoavaliação institucional, onde toda a comunidade educativa discutiu as nove dimensões indicadoras de qualidade que abordam o conhecimento da proposta político-pedagógica: ambientes, materiais, espaço, interações, múltiplas lingua- gens, gestão democrática, educação para igualdade racial e de gênero, como os bebês e as crianças pequenas são ouvidas e se a voz delas é considerada na rotina da instituição.

Uma semana antes, uma provocação com poemas é lançada aos educadores pelos organizadores. O poema de Alberto Caeiro, “Agora que sinto o amor”, do livro Poesia Completa foi lido em um encontro.

Agora que sinto amor

Tenho interesse nos perfumes

Nunca antes me interessou que uma flor tivesse cheiro. Agora sinto o perfume das flores como se visse uma coisa nova Sei bem que elas cheiravam, como sei que existia

São coisas que se sabem por fora.

Mas agora sei com a respiração da parte de trás da cabeça Hoje as flores sabem-se bem num paladar que se cheira Hoje às vezes acordo e cheiro antes de ver

Alberto Caeiro

Além das rodas de conversa e leitura do poema, as crianças criaram painéis de arte inspirados nele e passaram a criar com suas famílias os seus próprios poemas. Os cafés com poesia passaram a ser mensais tendo como objetivo discutir os problemas das famílias, a forma de educar os filhos e filhas e a escolaridade na região, bem como a política de infância para o território e a cidade.

 

Referências 

Avaliação na Educação Infantil: aprimorando olhares

avaliacao_na_ed_inf_aprim_olhares.pdf

Blog do Poeta Costa e Sena

http://poetacostasenna.blogspot.com/p/cordeis.html?m=1

Campos, Maria Malta at all A qualidade da educação infantil: um estudo em seis capitais Brasileiras

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-15742011000100003

Casa do Mario de Andrade

http://casamariodeandrade.org.br

Emei Gabriel Prestes- portal da Educação SME/ PMSP

http://portal.sme.prefeitura.sp.gov.br/Main/Page/PortalSMESP/EMEI-Gabriel-Prestes

Emei Gabriel Prestes Fanpage Facebook 

https://m.facebook.com/profile.php?id=1592459884328189&ref=content_filter&_rdr

Faria, Ana Lucia Goulart. Pequena infância, educação e gênero: subsídios para um estado da arte

http://www.scielo.br/pdf/cpa/n26/30394.pdf

Festa, Meire. Tese Doutorado

http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48134/tde-27082010-161948/publico/MEIRE_FESTA.pdf

Indicadores de Qualidade da Educação Infantil Paulistana

Indic_Ed_Inf_Paulistana.pdf 

Andrade, Mario de, Macuinaíma

Clique para acessar o Macuna%C3%ADma.pdf

Ocupação Mário de Andrade

https://www.itaucultural.org.br/ocupacao/mario-de-andrade/exercicio-cotidiano-de-vida/?content_link=15

Revista Magistério 80 anos Educação Infantil

Rev_Magisterio_80_anos.pdf

Ribeiro, Bruna Indicadores da qualidade na educação infantil: potenciais e limites

http://periodicos.puc-campinas.edu.br/seer/index.php/reveducacao/article/view/1899

Site Movimento Entusiasmo

http://gitatecnologia.com/entusiasmo/

Site Virada Educação 2015

http://nossacausa.com/eventos/virada-educacao-2015/

Nova era de Ouro da Rádio – o debate sobre o (sub) mundo da Podosfera

Os podcasts no Brasil, são uma cultura nova porém não muito recente. Alguns tem por volta de 10, 15anos.

Entretanto, euzinha aqui, na minha humildade, sou ainda uma ouvinte bebê .

Tenho 52 anos e quando eu era ainda bem pequenina, nos anos 70, existia a cultura do rádio, inclusive com novelas de rádio, mas já era uma cultura midiática híbrida com a TV, porque recordo que alguns bem poucos familiares já tinham televisão , mas muito poucos, porque era uma mídia cara e quando uma casa a tinha, muitas famílias e amigxs se reuniam pra assistir um programa de auditório, um filme, uma comédia ou mesmo uma novela televisiva que paulatinamente roubou a cena da rádio.

A verdade é que essa cultura híbrida das mídias entre rádio e TV se perpetuou até por volta dos anos 80 do século passado, quando chegaram novas mídias como as fitas cassete de aparelhos de som e de TV, para ouvirmos músicas, filmes, novelas e programas, que na maior parte das vezes, a gente gravava para ter aquela programa ou para assistir depois.

Com o uso mais frequente de computadores a partir da década de 90 no seculo XX, essa cultura acabou nos levando para os disquetes, os pen drives, para nossas pastas no PC, com downloads de pedaços de músicas e filmes, com a internet de banda discada, tudo muito lento e artesanal.

Os CDs de música competiam com esses arquivos compartilhados já numa cultura em rede e somente depois é que você conseguia comprar músicas, livros e filmes, mas ainda com a necessidade de armazenamento desses filmes, músicas, séries e outros nos próprios DVDs.

Eu mesma ainda tenho algumas dessas raridades preciosas aqui em casa, cassetes de som e TV, CDs e DVDs de mídias retiradas da minha internet do passado.

Hoje a gente consegue pagar uma netflix, um spotify ou mesmo uma Amazon, mas naquela época a gente tinha Napster, Emule, e os BitTorrent, que eram ilegais, vamos deixar bem claro e que muitas pessoas disfarçadamente chamavam de “lojinha”.

Lembro que em 2004, eu assistia The L Word, quando ouvi e vi pela primeira vez o conceito de podcast. Mas na verdade, naquele momento, não me interessei em ser uma ouvinte de podcast, e após 15 anos de exibição da série The L World que a gente ja baixava aos pedaços por torrent, eu so me interessei em ser ouvinte da podosfera depois de muita insistência de meu companheiro, agora em 2018.

Foi ai que descobri um “retorno a era de ouro do rádio” com alguns novos atributos do século XXI.

Isso porque descobri que temos vários agregadores para se ouvir um podcast, que temos vários temas, que posso assinar um podcast, que posso fazer playlist de podcasts, que os podcasts são realizados e concebidos de variadas formas, que existe uma linguagem específica da podosfera, que eu podia inclusive estudar por meio de determinados temas desenvolvidos em um podcast.

Além do que, uma grande nova diferença se apresenta diante do rádio do século 20: você pode ouvir seu programa favorito com seu celular e seu fone de ouvido e limpar a casa e lavar louça/ roupas, que eram tarefas domésticas insuportáveis antes, e que passaram a ser as mais esperadas do dia agora. Eu além desses momentos, ouço nas minhas caminhadas diárias , na musculação da minha academia, no ônibus, amo!

Eu virei fã. Estudo desde psicologia, passando por politica nacional e internacional, Ciência, arte, cultura, contos, História , Mitologia, tecnologia, e até filosofia da melhor qualidade. Pra quem gosta de informação, debate, entretenimento com reflexão, não há nada melhor em tempos de fakenews e informação patrulhada.

Falei no título sobre o (sub) mundo da podosfera, porque ainda sinto ser um mundo por vezes oculto da grande massa de pessoas. Num dos episódios do anticast de número 391, com o tema : O ano do Podcast no Brasil, Ivan Mizanzuk, Ira Croft e Gus Lanzetta, falam sobre a cultura dos podcasts no Brasil e dão dados bem interessantes sobre seu crescimento e popularidade ainda tímida, reservada ainda a um grupo de pessoas.

As vezes me sinto meio ET, quando digo: você ja ouviu podcast tal? E a pessoa olha pra mim com cara de alface e diz: pod o quê? Porque apesar de eu somente virar ouvinte em 2019, eu conheço a cultura podcaster desde 2004. Bom, aí pra não ter que descarrilar um blá-blá-blá, eu resolvi fazer esse post aqui no Jardim da Mariposa contando pra você que não conhece nada, um pouquinho dessa nova onda da “rádio” pra te deixar com uma vontade de ouvir esse mundo cheio de informação bacana, num momento tão difícil da gente coletar boas informações, debates e reflexões.

Aliás, esse post é um álibi, porque na verdade to felizona porque participei do debate do Teologia de Boteco, um dos meus podcasts favoritos que foi publicado agora dia 29 de julho pelo querido âncora Cristiano Machado, o Barba, que veio a São Paulo, no Aconchego do Café, que era o café-bar do Gus ( @gugaoshow no Twitter) até uma semana ou duas depois desse bate papo.

Nesse podcast, o Barba não trouxe pauta específica, deixando a galera falar a vontade. Saiu de tudo, desde a revolução necessária em tempos de obscurantismo até sobre Paulo Freire e a arte do encontro.

Aqui nas imagens abaixo eu e Barba e eu e João Bigon, os âncoras desse debate com os ouvintes de Sampa do Teologia de Boteco.

Assim, você minha leitora e meu leitor, você que é ouvinte de podcast e principalmente você que não conhece nada, aproveita e dá uma olhada nos temas que já foram explorados no Teologia de Boteco e em outros podcasts. Eu vou deixar aqui os podcasts que sou fã e não deixo de ouvir, bem como seus temas centrais e seus links.

Eu uso o overcast como agregador, mas temos vários outros que numa pesquisada nos seu APP Store do celular, você vai descobrir o que é melhor a sua necessidade. Temos até agregadores mais conhecidos como o SoundCloud e a parte gratuita ( que tem propaganda) do Spotify.

Vamos então aos links, temas centrais e seus âncoras , dos meus podcasts favoritos? Vou compartilhar sempre o link do último episódio e você depois navega pelos outros de cada um deles:

1. Anticast e Projeto Humanos- temas Politica e cultura e Histórias em formato Story Telling , âncora Ivan Mizanzuk. Anticast https://overcast.fm/+CsuPemqk Projeto Humanos – Caso Evandro ( esse colocarei o primeiro link pra que vc possa compreender o caso e assistir na sequência – https://overcast.fm/+E9qFlsKyg

2. Baseado em Fatos Surreais- histórias reias de envolvimento afetivo e sexual de mulheres enviados por depoimentos e contados pelas âncoras como se elas fossem as próprias personagens. Âncoras: Marcela Ponce de Leon e Sheylli Caleffi. Você vai morrer de rir, adoro! https://overcast.fm/+HCv3vg_hg

3. Benzina: cultura e Política com Âncoras: Orlando Calheiros e Stephanie Borges https://overcast.fm/+PRNAwGZpQ

4. Chutando a Escada: politica internacional, economia, direitos humanos, etc. âncoras Felipe Mendonça, Geraldo Zahran, Joel Luiz Costa https://overcast.fm/+HIc9hoB9k

5. Dragões de Garagem- Divulgação Científica Âncoras Luciano Queiroz e Lucas Marques e convidados. Simplesmente amo! https://overcast.fm/+h-XLyDg8

6. Dupracast Ciencia, cultura e humanidades e Meditação e estilo de Vida Âncora Dr Duprat. Adoroooo!!! https://overcast.fm/+LRHKaRWQA

7. Foro de Teresina. Adoro! Revista Piauí .Análise da Política Nacional. Âncoras Fernando de Barros e Silva, José Roberto de Toledo e Malú Gaspar https://overcast.fm/+NK0ekwGBQ

8. Jung na Prática. Sobre Psicologia analítica Âncora Lino Bertrand https://overcast.fm/+G_a4mdlbg

9. Nova Acrópole. Aulas e palestras sobre Filosofia. Vários professores/as. Simplesmente adorooooo!!!!! https://overcast.fm/+Nb7Xq5zyc e https://overcast.fm/+L5BLeyRhM

10. Papo na encruza. Sobre espiritualidade umbanda, macumbaria e magia. Com Douglas Rainho e outrxs. Eu adoroooooo!!! https://overcast.fm/+JnvNUrb2A

11. Petit Journal. Economia e Política International Com os profs Daniel Souza e Tamguy Baghdadi https://overcast.fm/+H2IJ47ck4

12. Psicocast Psicologia e psicanálise com Rafael Cerqueira e outrxs https://overcast.fm/+GSjiA9uT4

13. Trabalho de Mesa . Teatro e Cinema. Simplesmente um dos meus prediletos!!!! Reinecken e outrxs https://overcast.fm/+IfJZXvYMs

14. Tribo Forte. Não vivo sem ouvir!!!!!! Com Rodrigo Polesso e Dr J R Souto. Amo como amo proteína! Sobre ciência nutricional https://overcast.fm/+LXMutQKEg

15. Arquivo aberto. story Telling sobre o Caso Marielle ( vou colocar o 1º episódio para seguir a sequência) Narração Dyego Viana https://overcast.fm/+SCMTEClj4

16. Ih, Rita! Jornalismo independente de Rita Lisauskas. Amo!!!! https://overcast.fm/+RLHGiV-Qs

17. Vira Casacas- sobre politica, direito e cultura com Felipe Abal, Gabriel Dival e Carapanã. Eu amo muitooooo!!! https://overcast.fm/+JoscpzhrA

18. Xadrez Verbal, uma aula de política internacional com Felipe Figueiredo e Matias Pinto https://overcast.fm/+EsmxV11Kg

19. Vamos todos morrer Sobre morte, poesia, filosofia e sarcasmo. Podcast português. Amo!!!!! https://overcast.fm/+RcThAZGRw

20. Máquina de Inscrever : podcast em formato programa de rádio da minha amiga irmã Paloma Klisys https://overcast.fm/+QyvN7Nyug

21. Ana Garlet do Instituto Ipê Roxo fala sobre Filosofia Sistêmica de Bert Hellinger. Minha playlist dela está no SoundCloud. Amooooo!!!! https://soundcloud.com/naime-silva-512344264/sets/ana-garlet/s-uweU3

22. E por fim, o mais belos dos belos com meu âncora predileto Cristiano Barba de Teologia de Boteco que traz no antigo café -bar do Gus o debate da Galera sobre revolução e amor, onde pude dar meus pitacos sobre o que ando pensando sobre o assunto. Deixo a apresentação aqui também desse episódio:

Saudações, Classe trabalhadora…

Na sema passada rolou um encontro com os ouvintes do teologia de boteco, lá no Aconchego do café, na Moóca, em São Paulo… Apareceu muita gente e a festa foi muito legal (no meio do programa vc vai ouvir o Gus, dizendo anunciando a chegada de mais cerveja) O resultado desse encontro foi um podcast coletivo, de 2 horas aproximadamente, com as opiniões de muita gente que estava por lá!

Eu quero agradecer a todos e todas que estiveram por lá, que ajudaram a fazer um dia muito feliz na minha vida… Muito obrigado!

E agora, é esperar os próximos encontros (Rio de Janeiro é a capital mais cotada para o próximo encontro que ainda não tem data prevista) mas quero rodar o brasil inteiro pra conversar com os ouvintes

Esse programa não teve introdução pq eu estava muito doente no dia da publicação!

LOAD IMAGES FROM TEOLOGIADEBOTECO.COM.BR

Quem marcou presença, da podosfera

Giovani Alecrim do Café com Alecrim e do Piada de Pastor

Mari Ribeiro, do Marinadas, Mileniados e Novelacast

Felipe Mendonça do Chutando a Escada

Cecíla (que tem um projeto solo, chamado Punho Podcast)  e Bruno do Babel podcast

Inscreva-se no OUVINDO CAPIVARA : https://www.eventbrite.com.br/e/ouvindo-capivaras-2019-tickets-64227555347

Telegram dos ouvintes do Teologia de Boteco: https://t.me/teologiadeboteco

Se você gostou e quer apoiar esse projeto para que ele continue, considere entrar no grupo do Apoia.se –https://apoia.se/teologiadeboteco

Bom! Você deve ter percebido o quanto virei fã! Agora que você tem algumas poucas informações dessa nova era de ouro da rádio no século 21, conta pra mim, depois de ouvir, qual seu podcast predileto e porquê? Venha sobrevoar no meu jardim e se perfumar entre minhas flores 🌹!

https://overcast.fm/+MECBxP1rk

Um pouquinho de Jung no dia de seu aniversário

CGJung

Estou atualmente estudando Carl Gustav Jung, um psiquiatra nascido na Suíça, em 1875, que nos trouxe vastos conhecimentos que chamamos de psicologia analítica ou psicologia profunda.

Quando criança Jung ficou um ano sem ir à escola, após ter sido agredido por um amigo e desenvolveu uma espécie de síndrome do pânico.

O pai de Jung era pastor luterano e sua mãe era uma mulher rica, poderosa, mística e muito culta e, por ambas as influências, Jung interessou-se toda a sua vidas por religiosidade, filosofia, arqueologia, sociologia e psiquiatria e psicanálise. Leu Schopenhauer, Nietsche, Kant, Goethe, todos os renascentistas, grandes filósofos e, por esse motivo, usou suas próprias angústias, medos e cólera como fonte de estudo e pesquisa.

Formou-se em psiquiatria aos 26 anos em 1900, quando já havia lido “A interpretação dos sonhos” e os estudos de Breuer e Freud sobre histeria.

Somente em 1907, quando Jung escreveu um livro sobre psicologia da demência precoce, que era o nome que se dava a esquizofrenia na época, ele resolveu enviá-lo a Freud,  para que assim pudessem trocar conhecimentos.

Jung então foi a Viena durante 15 dias e lá tiveram um encontro numa conversa que durou 13 horas e que Jung classifica como “[…] uma conversa muito longa e penetrante”.

Dessa conversa nasceu uma forte amizade pessoal. Entretanto, apesar de Freud ser alguém do afeto de Jung, ele o considerava de natureza muito complicada, porque, segundo Jung, as ideias de Freud eram fixas, quando pensava algo, assim estava estabelecido e enquanto Jung se via como alguém que duvidava de tudo e de todas as coisas o tempo todo.

Entre tantas ideias divergentes, aquela que fez o rompimento dessa parceria profissional foi que, para Freud, o inconsciente humano é apenas pessoal e para Jung temos tanto o inconsciente pessoal quanto o coletivo – o que era inconcebível para Freud.

A partir daí, Jung desenvolve sua psicologia profunda e revisita toda sua obra após os 70 anos, escrevendo sobre os arquétipos do inconsciente coletivo, sobre os complexos do inconsciente pessoal, sobre a sombra, persona, anima/animus e SELF, que é o centro da essência de cada um de nós.

Ainda afirmou que nos relacionamos com o mundo exterior por meio dos sentidos, que cada individualidade pode se relacionar de forma introvertida ou extrovertida e que apresentamos formas dinâmicas de  tipos de relação com o mundo – que podem ser pela sensação, pelo pensamento, pelo sentimento e pela intuição.

Estas características combinadas na individualidade humana podem apresentar até 64 combinações entre esses opostos extrovertido/introvertido combinando pensamento/sentimento e sensação/intuição, entrelaçando-se em variadas combinações.

Para tanto revelou também, além dessas características humanas, sobre quatro tipos de temperamentos encontrados nas pessoas: colérica, fleumática, sanguínea e melancólica. Nosso aprendizado humano é não permitir que um desses temperamentos sejam fixos em nossa persona, mas que possamos dar movimento a elas num equilíbrio entre o ego e a sombra, num grande pingue-pongue dos temperamentos, pois a repressão da vazão de qualquer desses temperamentos, pode estabelecer as doenças físicas e ou mentais.

Nesse sentido é que se estabelece o trabalho da psicologia analítica de Jung, que evoca o que está retido nas sombras da alma humana e que se manifesta como fala/voz nas doenças do corpo ou da mente.

A ArteTerapia nesse sentido, é um das formas da pessoa em análise, materializar na arte esse vai-vem dos conteúdos (complexos e arquétipos) que transitam do inconsciente para o consciente com o objetivo de descobrir sua individuação.

Jung nasceu na data de hoje, em 26 de julho de 1875 e morre aos 85 anos em 1961, nos deixando um legado incrível – a psicologia clínica – a qual me sinto privilegiada de estudar. 

No vídeo abaixo você poderá assistir uma entrevista incrível do Jung, publicada no canal Jung na Prática. Se eu fosse você não perderia a oportunidade de conhecer esse grande homem.

Naíme Andréa Silva

Inverno/2019

Aluna do IJEP/ Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa

Discurso em defesa do Parque das Águas do Bixiga/Teatro Oficina

No dia 5 de junho, dia mundial do Meio Ambiente, a CIA Uzyna Uzona do Teatro Oficyna realizou um TeAto, em defesa da preservação ambiental e cultural do Bixiga e do Teatro projetada por Lina Bobardi, cujo, tive a honra de ser convidada para fazer uma fala. Fiz questão de estar na presença de meu filho e a cada palavra dita, olhar profundamente nos olhos do nosso amado Zé Celso Martinez. Abaixo, transcrevo em texto a minha fala emocionada:

“Evoé! Alegrias! Eu escrevi minha fala e vou lê -la, porque gostaria de dizer tanta coisa e to tão emocionada que tenho medo de me perder em meio a tanta coisa importante, Zé, por isso peço licença para essa leitura!

Sou educadora de infância e moradora do Bixiga há 20 e nos últimos 10 anos minha história pessoal e profissional se misturam ao Tetro Oficina e ao Parque do Bixiga.

Em dezembro de 2009, assisti ao Banquete de Platão e Sylvia Prado lavou meus pés e Héctor Othon, que fazia Zeus, encheu meus cabelos de flores, na noite eu que eu e meu companheiro Nuno, concebemos nosso filho Abá. Foi uma noite incrível como se eles me preparassem pra receber esse ser de luz no meu ventre.

No hemisfério Sul, para algumas bruxas e bruxos, a noite do Halloween é comemorado dia 1º de maio e foi nessa noite de 1º de maio de 2010, já redonda e barriguda, que eu vim assistir As Bacantes e tive vontade imensa de viver o mesmo que Caetano Veloso viveu, sendo devorada pelas bacantes ( risada). Imagina, fiquei só na vontade.

Em 2010, ainda assisti a Taniko, o rito do Mar, que me inspirou numa ousadia: montar Tanikinho com crianças bem pequenas da Ed Infantil na I Festa da Cultura Popular da EMEI Gabriel Prestes em 2014. Por conta dessa montagem, Mariano Mattos me convidou em outubro de 2014, pra um jantar pra conhecer a Camila Mota e desse dia em diante, a luta pelo Teatro Oficina, pelo Parque do Bixiga e pelas Infâncias paulistanas na construção da cidade educadora, passou a ser uma luta irmã.

Em 2015, em continuidade de um projeto educacional no território Consolação/ Bixiga, que dialogasse com Paulo Freire, Mário de Andrade e Oswald de Andrade, a companhia Uzina Uzona de Teatro e o Projeto Bixigão fizeram vivências com crianças e educadoras da EMEI Gabriel Prestes durante algumas sextas feiras e no mês de setembro, fizemos juntos um cortejo de abertura da II Virada Educacao, por um mundo mais poético, com o Rito do Pau Brasil de Oswald de Andrade, levando conosco alunas estagiários de Pedagogia da Universidade Makenzie sob a regência da criancista e ativista profa Celia Cerrão, as famílias e crianças da Emei Gabriel Prestes, várias educadoras e ativistas pela infância e o Movimento Entusiasmo de André Gravatá, num ato poético e cultural, que desceu a Consolação e o encerrou na Praça Roosevelt. Essa Virada Educação foi histórica, pois também comemoramos os 80 anos da educação infantil na cidade de São Paulo, desde a criação dos Parques Infantis, concebidos por Mário de Andrade.

Em 2017, Sylvia Prado recebeu aqui no Teatro Oficina, numa roda de conversa do curso de difusão para educadoras e educadores da rede pública municipal da Faculdade de Educação da USP, coordenada pela profa Dra Marcia Gobbi, intitulado : Infância desde os bebês, projetos e políticas na cidade , onde pude fazer a mediação do grupo nessa conversa com a Sylvia Prado, sobre a defesa do Teatro Oficina e a criação do Parque do Bixiga.

Por último, queria dizer que a defesa do Teatro Oficina e do Parque do Bixiga se misturam a defesa da comunidade Bixiga, de suas famílias e crianças, pois a defesa da criação e manutenção dos parques na cidade é a defesa das Infâncias paulistanas e da concepção de cultura das Infantis de Mário de Andrade e do prof Paulo Freire.

Ainda vale dizer que nós professoras de Infâncias temos um sonho e uma utopia, o sonho de uma cidade educadora , onde a cidade seja Organizada pelo olhar das crianças que a habitam, certamente ela seria cheio de parques, de alegria e de poesia.

Nossa utopia anarquista, seria de uma outro mundo mais justo e humano, sem prisões, sem igrejas, sem partidos políticos e sem escolas, onde pudéssemos viver como nossos povos originários, organizados por ecovilas e escolas da floresta, onde as ciências, as tecnologias, a arte, a cultura e a natureza vivessem em comunhão, num mundo sem dinheiro, sem a relação com o capital e poder, numa relação em comunidades, de forma dialética, sob auto gestão, numa pedagogia macunaímica, como sempre nos fala a Profa Ana Lúcia Goulart de Faria. Que a gente possa ter fôlego e musculatura pra lutar por esse sonho e consequentemente por esse utopia de um mundo mais justo e humano!

Viva o Teatro Oficina! viva o Parque do Bixiga! viva as Infâncias Paulistanas!”

Na foto que tirei abaixo, representando as mães das águas do Bixiga, Joana Medeiros como mamãe Yemanjá, Danielle Rosa como mamãe Oxum.

Salve Salve! IÓ! Evoé!

Filme Rocketman de Dexter Fletcher – análise

Fui assistir a biografia de Elton John sem muitas expectativas, afinal havia me decepcionado bastante com Bohemian Rhapsody, que me pareceu um filme bem ilustradinho para poder ser engolido pela crítica conservadora.

Na primeira cena do filme, um nó ja se instalou na minha garganta: um longo corredor por onde entra Elton com uma indumentária de anjo caído abre as portas de um grupo terapêutico de alcoólicos anônimos.

Ali já me dei conta que não seria um filme comum, porque traz a ideia de um Anjo caído para a terapia como um dos tantos símbolos que recheariam o filme.

A cena se desenrola nesse cenário e ao trazer as memórias sua história de infância, entra uma criança simbolizando o Reggie, Elton pequenino. Nesse instante eu ja me sentia cativada!

Obviamente não tenho intensão aqui de dar spoiler, mas de analisar alguns pontos e convidá-los a assistir e depois comentar comigo sua própria leitura do filme.

A construção dos personagens

Tanto nos Reggies crianças, Matthew Illesley e Kit Connor, quanto no ator adulto Taron Egerton, a construção das personagens teve um crescente sensível e coerente com as relações estabelecidas no clã familiar.

O menino Reggie de uns 8 anos mais ou menos, com o ator Kit Connor, tem poucas cenas, mas que são primorosas para entendermos a relação parental estabelecida e como o filme se desenrola como um drama psicológico e a construção desse ator criança é incrivelmente sensível. Um prato cheio para psicólogos analíticos, mas que pode ter deixado a desejar aos artistas e músicos que gostariam de ver o ato criativo de um músico, independente de seus complexos emocionais, se é que essa separação seja de fato possível.

Aos psicólogos analíticos, um filme pra saborear e talvez pra ver mais de uma vez, tamanho acervo de símbolos que tanto a personagem de Elton John, quanto suas personas e ainda se quisermos analisar as outras personagens como suas contrapartes apresentam. E ainda temos os símbolos sensíveis inseridos pela direção do filme como a relação de Elton John com seus figurinos, com seus óculos e como essa construção e desconstrução se deu.

O filme como musical também revela uma sensibilidade incrível do diretor Dexter Fletcher, pois se utiliza da corporeidade dos bailarinos e das canções de Elton John e Bernie Taupin como textos, para revelar os momentos picantes de sexo e drogas e trazer essa trama com arte, mas sem os ocultar e nem disfarçá-los, como vimos na biografia de Freddie Mercury.

Aqui também vale um destaque para a relação dessa dupla, Elton e Bernie, que analisei uma como contraparte do outro. Elton, que era inicialmente tímido, calado, se encontra com um Bernie, bem empolgado com o futuro da dupla. Bernie parece revelar ter uma personalidade de Elton, confusa e magoada dentro de si, expressa nas letras que você diria que foram escritas para a própria vida de Elton. Ao longo da evolução das personagens, Elton se transforma no Anjo Caído e Bernie anseia pela simplicidade do trabalho criativo da dupla. Talvez o ator de Bernie, Jamie Bell, pudesse ter explorado melhor esses aspectos na construção da personagem, que ao meu ver ficou bem aquém da construção de Taron Egerton.

Outra cena que pra mim foi marcante – Elton, depois de famoso artista de Rock e milionário, vai visitar seu pai e percebe o como seu pai trata seus meios irmãos diferente da relação que teve com ele. Que afinal para o pai, ele não passa de um cantor de Rock famoso para autografar o disco para seus filhos pequenos. O subtexto no olhar de Taron Egerton é arrebatador e revela a enorme qualidade da construção da personagem.

Por fim, gostaria de dizer que Elton John, o menino Reggie não aceitou ficar no amor cego em seu clã familiar.

Sabia que algo estava muito errado e que poderia levá-lo inclusive a perder seu bem maior: sua vida.

E essa toada do filme é um foco de luz, uma grande esperança pra tantas pessoas que vivem na escuridão do amor cego, que alguém tão perdido, possa encontrar no caminho interno um pai e uma mãe real, buscar a saúde para olhar rumo a um futuro com uma família e filhos e uma carreira que não precisou chegar a morte dessa e nem do artista como tantos astros do Rock ou artistas que acabam em ruína, na morte ou solidão como única possibilidade histórica e biográfica.

Ainda vale dizer que muitas vezes durante Rocketman lembrei de um filme cult que assisti quando criança, apresentado por meu tio Walter Ben que ama Elton John – Pinball Wizard (Tommy no Brasil) – que tem The Who, Eric Capton, Elton John, entre tantas na trilha sonora e que conta sobre um “menino criado no período do pós-guerra na Inglaterra e que desenvolve surdez e cegueira psicológicas, devido a experiências traumáticas na infância. Habilidoso nos jogos, ganha fama como campeão de fliperama, tornando-se ídolo nacional” (pesquisa google). Também fica a dica para assistirem.

Assim faço um convite pra que você assista Rocket Man e volte aqui no meu jardim para comentar nessa postagem suas impressões! Te aguardo! Fique agora com o trailer oficial de Rocket Man.